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Em Ilha Grande, história transformou episódios nefastos em paisagens fotogênicas

No litoral de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, parte do território é destinada a Unidades de Conservação.

Em outras palavras, Malba Tahan escreveu que as areias tudo apagam. Mesmo a injúria. Por que não haveriam, então, de desvanecer histórias de combates, rastros de saqueadores e memórias de prisões? Em Ilha Grande, no litoral de Angra dos Reis, não apenas areia, mas também ações trataram de transformar episódios nefastos em fotogênicas paisagens.

Os primeiros habitantes da região foram os tamoios, que a chamavam de Ippaun Wasu – em português, Ilha Grande. A tranquilidade dos índios chegou ao fim quando, associados a conquistadores franceses, enfrentaram navegadores portugueses mancomunados com tribos tupiniquins. Em 1591, foi a vez do corsário inglês Thomas Cavendish inaugurar uma série de saques à ilha, que perduraria até o século 18.

Ilha Grande, com o ir e vir de barcas para a Vila do Abraão, onde os visitantes se juntam aos três mil moradores, tem pelo menos outros três capítulos de uma história nada honrosa. Até a Abolição, o lugar era tido como uma das principais rotas de escravos do Brasil. De 1886 a 1903, mais de quatro mil navios tiveram como destino a ilha, com o propósito de desembarcar doentes de hanseníase numa instituição fundada e batizada pelo imperador D. Pedro II como Lazareto. O terceiro episódio sombrio está descrito em Memórias do Cárcere, de Graciliano Ramos, ele mesmo um dos muitos presos políticos a ocupar o instituto penal erguido ali.

A maior ilha de Angra dos Reis, de relevo acidentado e montanhoso, tem 193 quilômetros quadrados. Parte do território se destina hoje a Unidades de Conservação, como o Parque Estadual da Ilha Grande, que abriga 371 espécies de vertebrados, entre elas o ameaçado gato-do-mato-pequeno (Leopardus tigrinus) e a endêmica rã-de-fred (Hylodes fredi). Protegidos também são o Marinho do Aventureiro e a Reserva Biológica Estadual da Praia do Sul, esta última restrita a pesquisadores.

A vocação turística vem aparelhando a Vila do Abraão e, consequentemente, valorizando atrativos, a exemplo do Pico da Pedra d’Água, com 1.031 metros, e o Pico do Papagaio, com 982 metros. Difícil mesmo é eleger a praia mais bonita. Certamente, a Praia do Aventureiro é candidata ao título. Mas há ainda a Bananal, a Praia do Leste, a Lagoa Azul, a Dois Rios e outras que constituem o importante patrimônio natural da ilha.

ONDE FICA
Ilha Grande
23° 8’ 26” S, 44° 14’ 50” W

Fonte: Portal G1, 26/12/2017